Quando o uso abusivo da tecnologia leva à solidão e até depressão

Quando o uso abusivo da tecnologia leva à solidão e até depressão

Não é de hoje que os especialistas vêm estudando como a tecnologia pode desencadear a solidão e, em casos mais graves, até mesmo depressão em médio e longo prazo. Já se sabe que, ao mesmo tempo em que a tecnologia usada via computador, tablets, celulares e smartphones informa e facilita a vida das pessoas, ela pode também afastar os usuários do convívio físico, fundamental para uma vida saudável. A boa notícia é que isso pode ser evitado e, quando já instalado, pode ser tratado com a ajuda de um psicólogo.

No mundo moderno, globalizado e conectado, não há mais fronteiras e barreiras causadas pela distância e que influenciaram na falta de comunicação durante muitos anos. Hoje, parentes, amigos e totais desconhecidos trocam conteúdos o tempo todo, mesmo vivendo em lugares distantes. Infelizmente, esta facilidade vem deixando as pessoas mais solitárias, e a solidão abre uma grande vulnerabilidade para casos de depressão.

Quando o ambiente online toma conta da vida

Quando a criança, adolescente ou adulto começa a passar várias horas interagindo apenas no ambiente online, é hora de ficar atento. Hoje, a exigência por resultados rápidos, alcance de metas ousadas e outros aspectos do imediatismo acabam levando as pessoas a não terem mais tempo disponível para as brincadeiras ao ar livre, conversas pessoais, o café na casa da amiga, o chope no final de tarde com os colegas do trabalho, a visita aos familiares, os almoços junto com os filhos, a ida ao clube, enfim atividades que até há pouco tempo eram comuns na rotina das pessoas.

A internet, em geral e as redes sociais, por ser mais atrativa, acaba ficando sempre em primeiro plano. No meio online, todos podem parecer aquilo que gostariam de ser, mas na verdade não são. E aparecem as situações de obsessão, conflitos existenciais, crises de identidade e relacionamentos sem qualidade. Na internet, o que conta é a quantidade, seja de amigos, posts ou curtidas. Ao diminuir as relações pessoais, vem a sensação de solidão, criando um ciclo vicioso.

Mas como saber qual a medida certa?

O uso muito intenso das tecnologias pode ser considerado um vício que, como qualquer outro, pode causar dependência, crises de abstinência e sintomas similares à depressão, como por exemplo, a ansiedade. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, relacionou a maneira como se interage com a internet e a indicação de o usuário estar ou não abusando quanto a seu uso. Ficou constatado que:

  • Pessoas deprimidas usam a internet de forma diferente das demais;
  • Quanto mais deprimido está o usuário, mais frequente será o uso de sites e aplicativos de compartilhamento de arquivos;
  • Compulsivos usam com maior frequência os e-mails e fazem sucessivas contagens de mensagens;
  • Compulsivos não conseguem dormir sem o celular ao lado e buscam por informações nos aparelhos assim que acordam.

Repare se estão aparecendo os seguintes sintomas:

  • Dificuldade para exercer tarefas que antes eram rotineiras;
  • Tristeza por longos períodos;
  • Irritabilidade e falta da capacidade de sentir prazer;
  • Apatia pelo que não é relacionado às tecnologias;
  • Alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas, como falta de sono e de apetite;
  • Diminuição da capacidade de concentração;
  • Diminuição da libido;
  • Dificuldade de decidir algo sem consultar o computador;
  • Angústia, medo, insegurança, desesperança e desamparo;
  • Baixa autoestima e autoconfiança;
  • Sentimento de rejeição;
  • Condutas antissociais e destrutivas.

Se mais de três desses sintomas/comportamentos estão ocorrendo, é hora de buscar ajuda de um psicólogo. Ele vai ajudá-lo, por meio de terapia, a evitar a solidão, o estresse prolongado e a tão temida depressão. Este profissional, especializado no comportamento humano, vai orientar como frear o desenvolvimento da dependência e orientar sobre como voltar a interagir com o mundo real.

O psicólogo vai conversar, também, sobre os elementos que estão levando à compulsão. Afinal, é possível controlar o acesso virtual e viver com saúde, harmonia e qualidade nas relações. Basta descobrir a forma saudável de conviver com os aparelhos sem perder o controle sobre eles.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.