Por Natalia Anauate
Psicóloga · CRP 06/103768
Publicado em 06/08/2026
A depressão na adolescência é um assunto que tem se tornado cada vez mais importante, especialmente porque essa é uma fase da vida marcada por inúmeras transformações.
Sim, essas mudanças podem acontecer não somente no corpo do adolescente, mas também na sua mente.
Com isso, é possível surgir desafios, descobertas e inseguranças, fazendo com que, em algumas situações, surja alguma condição relacionada à saúde mental.
Neste artigo, você vai entender melhor o que é a depressão na adolescência, quais são os principais sintomas, possíveis causas, formas de tratamento e como os pais podem ajudar os filhos a lidarem com essa questão. Boa leitura!
Como diferenciar a depressão na adolescência das alterações de humor presentes nesta fase?
A adolescência é uma fase da vida marcada por mudanças de humor, pois envolve muitas transformações físicas, emocionais e sociais.
Assim, o adolescente pode apresentar momentos de irritação, tristeza, insegurança ou isolamento.
Esses sentimentos, por si só, não significam que ele está em depressão. Porém, é importante estar atento quando se tornam frequentes, intensos e passam a interferir em sua rotina como um todo.
Isso porque, em tais casos, pode não se tratar apenas de uma alteração de humor típica da idade, mas sim de um sinal de que algo mais sério pode estar acontecendo.
Sendo assim, pode-se dizer que a principal diferença entre a depressão e as alterações presentes nesta fase está na duração, na intensidade e no impacto desses sintomas na vida do adolescente.
Se houver dúvidas, o ideal é buscar a orientação de um profissional de saúde mental, que é o especialista adequado para realizar uma avaliação apropriada e indicar o apoio necessário.
Quais são os sinais da depressão na adolescência?
A depressão na adolescência, assim como outros transtornos, pode apresentar sinais característicos que devem ser observados com atenção.
Desta forma, é fundamental conhecer quais são os sintomas dessa condição, sobretudo porque a adolescência é um período importante para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais do indivíduo.
A seguir, confira os sinais mais comuns:
1. Oscilações de humor
As oscilações de humor podem ser um dos sinais da depressão na adolescência. Embora as mudanças emocionais sejam esperadas nessa fase da vida, é importante observar quando elas acontecem de forma frequente, intensa e sem um motivo conhecido.
Por exemplo, o adolescente pode apresentar momentos de tristeza, irritação, raiva, desânimo ou choro com mais facilidade.
Mas quando essas mudanças afetam as suas relações sociais e as atividades do dia a dia é um sinal de alerta.
2. Baixo rendimento na escola
Uma vez que a depressão pode afetar a capacidade de concentração e memorização, são frequentes os casos de adolescentes que passam a apresentar dificuldades escolares, como notas baixas ou desinteresse para concluir tarefas.
Na maioria das situações, esses problemas não faziam parte da rotina do adolescente antes do surgimento dos sintomas.
Todavia, o estado depressivo tende a interferir negativamente no desempenho acadêmico.
3. Isolamento social
O isolamento social é igualmente um sintoma de depressão na adolescência.
Apesar de ser comum que, nessa fase, o adolescente se afaste um pouco mais da família, é preciso ficar atento quando essa mudança acontece de modo repentino e intenso.
Ademais, desconfie se o afastamento também ocorrer em relação aos amigos, especialmente quando ele deixa de participar de atividades que antes gostava ou passa a evitar o convívio com pessoas próximas.
4. Alterações no sono e no apetite
Mudanças no sono e no apetite são outros sinais indicativos de depressão na adolescência.
No geral, o adolescente pode passar a dormir muito mais do que o normal ou, ao contrário, passa a apresentar dificuldade para dormir.
É ainda possível surgirem mudanças na alimentação, como perda ou aumento do apetite.
O alerta deve surgir quando essas alterações acontecem com frequência, principalmente se vierem acompanhadas de outros sinais emocionais ou comportamentais.
5. Baixa autoestima
Na adolescência é bem comum que o adolescente tenha inseguranças, contudo, é fundamental observar quando ele passa a se diminuir com frequência ou demonstra uma visão muito negativa a respeito de si mesmo.
Frases como “ninguém me entende”, “eu sou esquisito(a)” ou “nada combina comigo” podem sinalizar que a autoestima está afetada, principalmente se elas vêm acompanhadas de tristeza, isolamento ou desinteresse pelas atividades de rotina.
6. Pensamentos suicidas e automutilação
Pensamentos suicidas e automutilação são sintomas graves e que precisam de atenção imediata.
Em alguns casos, o adolescente pode falar acerca da vontade de desaparecer, de não viver mais ou demonstrar comportamentos de machucar a si mesmo.
Mesmo quando essas falas parecem indiretas, elas não devem ser ignoradas.
O ideal é acolher o adolescente, evitar julgamentos e buscar ajuda profissional o quanto antes, pois esse tipo de sinal pode indicar um sofrimento emocional intenso.
Lembrando que cada adolescente pode manifestar a depressão de uma forma diferente.
Por isso, diante das primeiras suspeitas, é fundamental buscar a orientação de um profissional de saúde mental para uma avaliação adequada.
O que causa a depressão na adolescência?
A depressão na adolescência não acontece por um único motivo. Na maioria das vezes, ela está relacionada a uma combinação de fatores emocionais, sociais, familiares e biológicos, que podem afetar cada adolescente de uma maneira diferente.
Entre os possíveis fatores que tornam os adolescentes mais suscetíveis a questões de saúde mental, estão:
- mudanças hormonais e alterações naturais desse período da vida;
- histórico de depressão ou outros transtornos na família;
- conflitos familiares ou falta de apoio emocional;
- dificuldades de convivência na escola;
- situações de bullying, rejeição ou exclusão social;
- pressão por desempenho, aparência ou aceitação;
- perdas, traumas ou outras experiências marcantes;
- problemas de saúde física ou outras condições emocionais.
É importante lembrar que cada caso deve ser observado de forma individual, pois o que pode ser um fator importante para um adolescente pode não ter o mesmo impacto em outro.
Assim, quando houver sinais de sofrimento, a avaliação de um profissional é essencial para compreender a situação e indicar o melhor cuidado.
Como os pais podem ajudar um filho com depressão?
Apesar de alguns comportamentos parecerem apenas “coisa de adolescente”, certas mudanças podem indicar uma condição mais séria. Por isso, os pais precisam estar atentos e entender como podem ajudar um filho com depressão.
Seja para compreender melhor o que está acontecendo ou para descobrir a maneira mais adequada de agir nessas situações, os pais podem (e devem) apoiar seus filhos nessa jornada por meio de algumas atitudes importantes, como:
Manter uma comunicação clara e empática
De início, é essencial que os pais conversem com o adolescente de forma respeitosa, acolhedora e sem julgamentos.
Assim, ele pode se sentir mais seguro e confiante para expressar aquilo que sente.
Estar presente e disponível para ouvir
Nem sempre o adolescente conseguirá falar sobre o que sente logo de início.
Portanto, os pais devem respeitar seu tempo, mantendo-se presentes e disponíveis para ouvir, sem pressionar, mas mostrando ao jovem que ele não está sozinho.
Estimular hábitos saudáveis
Os pais podem incentivar o filho a praticar atividades físicas, cultivar hobbies saudáveis e manter uma rotina mais equilibrada, com alimentação adequada e horas suficientes de sono.
Esses cuidados podem ajudar o adolescente a se sentir melhor e mais disposto.
Buscar ajuda profissional quando necessário
Quando os sinais da depressão persistem ou começam a afetar a rotina do adolescente, é importante procurar apoio profissional.
Psicólogos, psiquiatras e outros especialistas podem orientar a família e indicar o tratamento mais adequado.
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Autor: Psicóloga Natalia Anauate - CRP 06/103768Formação: Há mais de 15 anos Natália atua como psicóloga para atendimento individual (adultos) e terapia de casal, o que lhe confere considerável experiência com queixas relacionadas ao relacionamento conjugal, estresse relacionado ao trabalho, dificuldades na vida afetiva e relacionamentos...
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