Compulsão: como identificar e tratar

Compulsão

Há vários tipos de compulsão, um distúrbio psiquiátrico cada vez mais comum nos dias de hoje. Compulsão por tomar bebidas alcoólicas, comer demais, comer muito pouco, fazer sexo, usar drogas, mentir, jogar apostando dinheiro, comprar, enfim, ter uma vontade incontrolável de fazer alguma coisa em demasia.

Pessoas que convivem com isso podem e devem ser tratadas. Conforme a intensidade da compulsão, o tratamento com remédios se faz necessário e a ajuda deve vir por meio do atendimento de um médico psiquiatra. Há casos, também, um pouco mais simples, para os quais a terapia com um psicólogo pode tratar o problema. O que não dá é ficar sem tratamento.

A compulsão é um problema sério que atinge tanto homens quanto mulheres e em qualquer idade. Trata-se de um transtorno, para o qual a medicina ainda não encontrou uma razão biológica, e que se instala quando o paciente não consegue mais controlar seus impulsos. O distúrbio pode causar sérios problemas na vida, por exemplo, dificuldade de trabalhar, de manter relações saudáveis com outras pessoas e com consequências físicas, psicológicas e sociais graves.

Mas como identificar se é compulsão ou não?

Se você não tem controle sobre seus impulsos e isso começa a interferir na sua vida pessoal e profissional, é bem provável que a situação possa ser considerada compulsão. Para ajudar a identificar, vale reparar se há comportamentos repetitivos com o objetivo de proporcionar algum alívio para as tensões emocionais e que se apresentam de forma frequente e excessiva.

É importante notar, ainda, se está havendo uma gratificação emocional após os atos repetitivos, como prazer ou alívio e que com o tempo, se tornam uma sensação negativa, pelo fato de não ter resistido ao impulso de realizá-los. Outras características que ajudam na identificação é quando a angústia provocada pela ausência de tais comportamentos acaba levando as pessoas a ter os sintomas emocionais da abstinência: tremores, sudorese, taquicardia, etc.

Elementos familiares

O ideal é procurar um psicólogo e relatar como tem sido o comportamento, as consequências e o histórico de forma que ele possa identificar se os sintomas são mesmo de compulsão. Uma vez sendo diagnosticado como tal, o terapeuta poderá encaminhar o caso para um psiquiatra, que irá prescrever ao paciente os remédios adequados, ou fazer a terapia no seu próprio consultório.

Infelizmente, ainda não há estudos que comprovem uma causa estabelecida para a ocorrência dos comportamentos compulsivos. O que se sabe é que há algumas vulnerabilidades e predisposições, a maioria relacionada a elementos familiares, como casos de extrema insegurança, vivências negativas no passado e outras.

Danos físicos são comuns quando há uma compulsão

A compulsão está relacionada, ainda, aos chamados transtornos do espectro obsessivo compulsivo ou TOC, que é quando a pessoa se torna dependente de uma atitude que passa a ocupar um grande espaço no seu cotidiano. Geralmente, aparecem os danos físicos tais como, por exemplo, a vigorexia, o mal que acomete os viciados em exercícios físicos. Eles precisam se exercitar exageradamente, todos os dias e por muitas horas.

Outros exemplos de danos físicos são ocorrência de lesões na pele das mãos de quem repete continuadamente o ritual de lavá-las, de escoriações quando a pessoa se autoflagela, a calvície entre aqueles que têm a compulsão de arrancar seus próprios fios de cabelo, de desnutrição quando a compulsão é por vômitos (bulimia), e assim por diante.

Em resumo, se atitudes repetitivas estão ocupando muito espaço na rotina da pessoa e, consequentemente, comprometendo a qualidade de vida familiar, profissional, afetiva e social, é hora de procurar ajuda de um psicólogo. O tratamento pode demorar um pouco, mas é eficaz.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.